Loading...
Top Noticias

Notícias

Oficinas do CBH Araguari reúnem contribuições para as metas de qualidade das águas

NOTÍCIAS

29/10/2026

Oficinas do CBH Araguari reúnem contribuições para as metas de qualidade das águas

Segunda rodada de encontros percorreu 11 municípios da bacia e discutiu propostas para os rios e ações necessárias para alcançar os objetivos de qualidade


O que se espera de um rio e qual qualidade da água é necessária para atender às demandas de quem vive ao seu redor? Essas questões orientaram a segunda rodada de Oficinas de Enquadramento promovida pelo CBH Araguari, realizada entre os dias 22 e 29 de outubro de 2026, em 11 municípios da bacia. Os encontros abriram espaço para apresentar as propostas de metas de qualidade das águas, esclarecer dúvidas e reunir contribuições da população.

A etapa deu continuidade a um trabalho iniciado na primeira rodada de oficinas, quando moradores, representantes do poder público, usuários de água e outros setores compartilharam suas percepções sobre os rios e os usos dos recursos hídricos em cada localidade. Nesta segunda fase, o Comitê apresentou os resultados desse diálogo e explicou como as informações levantadas foram consideradas na elaboração da proposta de enquadramento.

O enquadramento dos corpos d’água é um instrumento de planejamento que estabelece metas de qualidade para os rios de acordo com os usos que se pretende garantir, como abastecimento humano, irrigação e recreação. Na prática, ele ajuda a definir quais condições de qualidade a água deverá alcançar ou manter ao longo do tempo e orienta o planejamento de ações para preservar ou recuperar os recursos hídricos.

A definição dessas metas exige conhecimento técnico, mas também precisa considerar a realidade de quem utiliza e acompanha os rios no dia a dia. As atividades econômicas, as necessidades de abastecimento, as condições ambientais e as demandas de cada município fazem parte de um cenário que não pode ser compreendido apenas a partir de dados e estudos. Por isso, ouvir a população é uma etapa relevante na construção de uma proposta que considere as características da bacia e os diferentes usos da água.

Ao fazer um balanço das oficinas, Pollyana Batalhone, analista ambiental da Abha Gestão de Águas, destacou a participação de sindicatos e produtores rurais, indústrias, usuários de água e concessionárias de abastecimento. Segundo ela, as contribuições permitem conhecer tanto os usos atuais quanto aqueles que a população pretende fazer dos cursos d’água, oferecendo informações para a análise técnica e para as discussões sobre o enquadramento.

“A gente pode planejar hoje a água como queremos daqui a 20 anos”, afirmou Pollyana. A analista explicou que esse planejamento considera a situação dos rios, as condições desejadas pela sociedade e as possibilidades de alcançar as metas propostas.

Ao percorrer diferentes municípios, as oficinas também aproximaram o processo de enquadramento das comunidades que convivem com os cursos d’água da bacia. A participação local permite identificar preocupações, esclarecer aspectos técnicos e ampliar a compreensão sobre as decisões que poderão orientar a gestão das águas nos próximos anos.

O vice-presidente do CBH Araguari, Celismar Costa, ressaltou que os usos da água variam ao longo da bacia e precisam ser considerados nesse planejamento. Ele citou o próprio rio Araguari, que atende a diferentes atividades nos municípios por onde passa, incluindo a indústria, a pesca e os esportes náuticos. Para o dirigente, levar as oficinas a diferentes localidades permite ao Comitê compreender essas particularidades e incorporá-las ao debate.

“É uma forma de nos aproximar das pessoas, de quem realmente vive ali, naquele microterritório, naquela microrregião, e entender a demanda, a necessidade pontual de cada uma das regiões”, destacou Celismar. Segundo ele, a participação dos municípios contribui para construir um planejamento de manutenção e recuperação da qualidade dos rios que responda às necessidades de quem vive na bacia.

As discussões também abordaram o Programa de Efetivação do Enquadramento, que reúne as ações necessárias para alcançar as metas de qualidade. Julia Nunes, do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), explicou que essa etapa sucede o diagnóstico, o prognóstico e a elaboração das alternativas de enquadramento. “O programa de efetivação tem ações para a gente alcançar as metas de qualidade de água que foram estabelecidas na etapa anterior”, afirmou.

Julia destacou que a realização de encontros em diferentes pontos da bacia amplia as condições de participação, especialmente para quem teria dificuldade de se deslocar até um evento único. A proximidade também permite que os participantes apresentem situações conhecidas pela comunidade e confiram como suas contribuições foram consideradas nos estudos.

Como exemplo, ela relatou que, durante a oficina em Uberlândia, um participante pôde comparar informações fornecidas anteriormente por um empreendimento com o conteúdo apresentado no estudo. “Esse momento de conferência ocorreu aqui hoje e isso traz um momento de validação para o trabalho”, observou. Para Julia, essa troca permite que as pessoas reconheçam, no documento, a colaboração que ofereceram nas etapas anteriores.

De acordo com Pollyana, as contribuições recebidas serão analisadas tecnicamente e levadas à discussão na Câmara Técnica de Planejamento. A proposta seguirá para apreciação da plenária do CBH Araguari e, posteriormente, do Conselho Estadual de Recursos Hídricos. Mesmo com o encerramento da rodada de oficinas, a população ainda poderá colaborar. Segundo a analista, o recebimento de contribuições permanece aberto até 3 de novembro de 2026. 

Notícias em destaque

Mais notícias